Mais um rosto que mente

No começo desse ano participei de um concurso de exposição de arte do Centro Cultural São Paulo. Mesmo não tendo formação acadêmica arrisquei participar. E o mais difícil, elaborar um anteprojeto em menos de uma semana para mostrar minha arte. Detalhe: não tinha idéia de como fazer um anteprojeto, mas consegui a ajuda do meu amigo que faz quadros comigo a montar um.
O que me inspirou a criar o tema foi a reflexão a partir do que ultimamente vejo nas pessoas que convivo e observo: o medo, a vaidade e a mentira. Mesmo parecendo comportamentos diferentes eles andam juntos.
Meu trabalho não foi escolhido para a exposição, mas aprendi muito com a experiência. Até porque quando eu exponho algo que crio também reflito naquilo que fiz, é algo que me confronta, me faz refletir como lido com o caos que eu sou.

Abaixo está um pouco do trabalho que fiz:

TITULO: Mais um rosto que mente

INTRODUÇÃO: O tema aborda a falsidade que criamos em relação a nós. Enganamos nossas emoções e sentimentos para criar uma sensação de bem estar aparente; mostramos alegria quando na realidade estamos tristes, mostramos coragem quando na verdade estamos com medo, gritamos liberdade na própria prisão.
Esses sentimentos de bem estar aparente nos tornam falsos, nos alto enganamos com receio de sermos sinceros para não agredir o outro, ou acharmos que estamos sendo inconvenientes. Portanto, temos por fim o engano a nos mesmos.

OBJETO DE ESTUDO:  Do livro “ Shakespeare de A a Z – Livro das Citações”  foi retirado a frase “O rosto enganador deve ocultar o que o falso coração sabe .” Essa referência serviu como uma sintese para o projeto, que integra a referência para um apoio mais centralizado entre a literatura e as artes visuais. Essa integração nos mostra que a falsidade estava, e está presente na conjuntura social desde tempos remotos.

JUSTIFICATIVA:  Traz a reflexão o medo que o ser humano tem de encarar seus próprios sentimentos. A falsidade acaba sendo um meio de se livrar da responsabilidade de lidar com as complexidades que o aflige. Não só o medo de encarar as complexidades, mas pela vaidade de mostrar uma imagem positiva para os outros. O ser humano se livrará das falsas imagens que insiste em mostrar quando, a capacidade de tratar suas próprias emoções for maior que a necessidade de se sentir bem constantemente.

METODOLOGIA: Nesse trabalho serão utilizados óleo, acrílico, esmalte, colagem, modelagem e fotografia sobre tela.

 

 

Daniel Santana de Souza 13/02/2011 Yasmin 40cm x 50cm acrílico sobre tela

Daniel Santana de Souza
13/02/2011
Yasmin
40cm x 50cm
acrílico sobre tela

Yasmim: retrata uma jovem que acredita que através do suicídio encontrará um fim aos seus problemas, mas ela não percebe que isso apenas deixa os problemas sem conclusão. Yasmim representa mais um rosto que mente, pois o medo de agir em resposta ao sofrimento impossibilita de tomar decisões em prol de soluciona-los, tendo por fim o suicídio.

 

 

Daniel Santana de Souza 15/08/2012 Jardim em chamas 40cm x 50cm acrílico/ óleo/resina sobre tela

Daniel Santana de Souza
15/08/2012
Jardim em Chamas
40cm x 50cm
acrílico/ óleo/resina sobre tela

Jardim em Chamas: É o retrato da vaidade em mostrar uma imagem de tranquilidade quando as circunstâncias fogem do controle.

 

 

Daniel Santana de Souza 14/01/2013  Falsa Liberdade  40cm x 50cm colagem, óleo, esmalte sobre tela

Daniel Santana de Souza
14/01/2013
Falsa Liberdade
40cm x 50cm
colagem, óleo, esmalte sobre tela

Falsa liberdade: Este trabalho especifica uma falsa sensação de liberdade. O retrato da sensação prazerosa ao tomar chuva nos contrasta com a falsidade que a sensação provoca. Seus corpos não são reais, não possui uma coloração realista, mas um jogo de cores, uma abstração de pigmentos, isso denota que a liberdade é aparente.

 

 

Daniel Santana de Souza 18/01/2013 Série de obras: Mais um rosto que mente Medo da Vida 40cm x 60cm modelagem, colagem, acrílico, esmalte sobre tela

Daniel Santana de Souza
18/01/2013
Medo da Vida
40cm x 60cm
modelagem, colagem, acrílico, esmalte sobre tela

Medo da Vida:  É a imagem do homem que diz não temer coisa alguma, portanto é medroso. O guarda-chuva é uma metáfora que denota proteção. Por mais que ele tenha um discurso de ser corajoso, se refugia por temer o novo, não se permite a viver. As cores da chuva representa a intensidade da vida.

 

 

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Pensamentos da madrugada

Enquanto o sono não vinha comecei a refletir…

Coragem não é se vingar de quem te fez mal, coragem é pagar o mal com o bem. Digo que é uma coragem porque o orgulho e a vaidade é tendencia, nunca esteve tão em alta. É uma necessidade de mostrar que é melhor que o outro, impor o poder, provar que é capaz de revidar. Romper isso é um ato corajoso. Quem é que quer sair perdendo? Pagar o mal com o bem é para pessoas fracas, que não tem attitude não é mesmo?
Quem pratica o mal (quando digo praticar o mal, digo uma pratica constante, algo que faz parte da rotina da pessoa) já esta dominado pelo medo. Quem tem medo se proteje atacando. Quem tem medo se afasta dos afetos, se transforma em uma pessoa amarga, já perdeu a sensibilidade do sofrimento alheio. Além do medo paralizar as ações do homem, também faz com que ele se refugie naquilo que o ameaça. Por exemplo, em alguns casos de violência doméstica nos intriga a mulher permanecer com o agressor, ela por ter medo dele se protege na companhia do mesmo. Ela se sente mais protegida com o agressor do que longe dele. Isso é mais comum do que imaginamos.
Por mais difícil que seja a idéia de pagar o mal com bem, afinal, isso é realmente difícil e complexo, devemos admitir que o mal prolifera, é uma corrente destruidora, são vítimas provocando vítimas. Num ambiente onde todos estão fechados com seus orgulhos, medos e vaidades é uma auto destruição persisti com mal. Bater também machuca. Que possamos desenvolver mais nossas capacidades nobres de fazer o bem, podemos transformar o caos com attitudes simples. O mal faz parte da vida, mas ele não precisa ser a regra.
Sei que essa conversa é longa e discursiva, ainda mais falando sobre “bem e o mal ” mas precisei expor pelo menos uma idéia do que percebo.