O velho e o moço

E se eu for o primeiro a prever e poder desistir do que for dar errado?
Ora, se não sou eu quem mais vai decidir o que é bom pra mim?
Dispenso a previsão!
Se o que eu sou é também o que eu escolhi ser aceito a condição.

 

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eu to ficando velho…eu to ficando louco

eu to ficando velho...eu to ficando louco

“discurso..discurso….discurso ♪

– então, eu quero agr….

EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE

parô, deixa o cara falar…

Sou muito suspeito pra falar de mim. E não tenho muito o que falar. Vou falar o que? Posso dizer um pouco o que foi o ano que passou….

Foi um ano desafiador, não sou de prometer nada, nem de colocar no papel projetos e metas que preciso alcançar, mas percebi que estava precisando de emoção na minha vida. Saí do eixo, me permitir a aprender. Não estou falando (só) da sala de aula, mas dos corredores da escola, dos corredores da vida. Me permitir a ficar calado, perceber um pouco o que passava ao meu redor, o que fizeram de mim e o que estou fazendo com o que fizeram de mim. Conheci gente nova, lugares novos, sabores novos.

Foi um ano que cuidei mais de mim, não sei se “cuidei” é a palavra certa, mas conversei bem mais comigo, me sentei na cadeira para me dar broncas, fiz um monte de perguntas, foram tantas que em alguns momentos ficava com raiva de mim mesmo. E foi bom. Foi bom para perceber que a vida não é tudo aquilo que eu quero que ela seja, que ela não tem que ser e não vai ser do jeito que eu quero que seja. Também para perceber que não devo criar nenhum ideal de mim mesmo para me sentir melhor. Quero que o ano que se inicia venha ser de mais aprendizado e de aventuras, como fazer trilha em mata fechada e sair igual um louco desvairado para chegar no local da prova antes do portão se fechar.

Deixa eu dizer o que penso dessa vida, preciso demais desabafar…

Ninguém muda ninguém. Posso ser a razão pela qual alguém mudou, mas eu não tenho o controle de mudar o que o outro escolheu para ele. As pessoas só mudam quando algo afligem elas, quando o mundo delas desmorona. Não adianta forçar, não adianta querer ajudar se o outro não perceber que ele precisa entender certas coisa na vida. Não o fato de mudar para agradar. Ninguém tem obrigação de agradar ninguém, mas lidamos com humanos, não somos isolados, dependemos do outro, mesmo que isso nos incomode, e dependeremos do outro, seja ele qual for, até o fim da vida.

Mas tem pessoas que não muda nunca, não tem maturidade de enxergar a vida. Convive com as mesmas pessoas, vive no mesmo lugar e não percebe que faz o outro sofrer, ou até percebe e tem um prazer nisso. São pessoas totalmente frágeis, incapazes de ser gente, incapazes de amar. É um tipo de pessoa que sofre, mas o sofrimento não mobiliza ela a mudar, não constrói nada de bonito.

É um tipo de pessoa que se você perguntar para ela se está tudo bem, ela irá dizer que sim. Mas se você perguntar para as pessoas que convive com ela ouvirá reclamações. Ela é um problema para os outros.

E quando vemos esse tipo de pessoa acabamos tendo paciência, por justamente ser incapaz de enxergar que ela é um problema. Damos chances,  toleramos algumas atitudes, nos disponibilizamos em ajudar, mas não adianta. Sabe porque não adianta? Porque a pessoa não quer se ajudar, não quer ser gente, não quer entender o próximo. Ela transforma os outros em refém da miséria que carrega.

Todos passamos por sofrimentos, alguns por sofrimentos maiores, pessoas que são frustadas, traumatizadas por algum motivo. Mas é um perigo dar muita atenção pra esse tipo de gente. Não podemos viver a mercê disso. Ainda não entendo muita coisa dos humanos, não sei até que ponto alguém não consegue ter a capacidade de mudar o que a vida fez dele, de superar suas angústias, suas frustrações e encarar a vida como gente. Mas não tenho tenho paciência com pessoas que veio na vida passear, é infantil desde o momento em que nasceu, não criou personalidade, não tem saúde mental, e é orgulhoso e egoísta.

Com o passar do tempo vamos enxergando certas coisas. Uma coisa eu percebi: não se ajuda ninguém que não se dispõe em se ajudar. Se a pessoa quiser ir pro inferno, fazer a vida dela um inferno, tudo bem, mas não arraste  as pessoas que estão encarando a vida com dignidade e que se dispõem a amar o outro. Vivemos em uma época em que falta longanimidade, não falo nem do amor, mas da longanimidade, de entender antes de julgar, de compreender, de um ânimo longo com aquele que precisa de apoio, mas tentar entender o outro o tempo todo também cansa. Acho que as pessoas estão precisando ficar mais sozinhas, não para se insolar dos outros, mas para enfrentar si mesmas, não ter medo de si, não ter medo da companhia da solidão. As pessoas precisam se tratar para deixar de ser um problema para os outros.